ARTIGOS

A Alma de todo Apostolado




Autor: Douglas Meneses
Data: 03/05/2015

O nosso serviço dentro da Igreja de Cristo, isto é, o nosso Apostolado, muitas vezes torna-se cansativo e frio. Por quê? Porque não temos a Alma de todo Apostolado.

O apostolado, assim como a vida humana, inicia-se na alma. Se a alma é vazia, a vida torna-se vazia, o apostolado torna-se vazio. Esse é o princípio da Vida Interior, tão falada pelos Santos e pelo Magistério.

Deus concede um dom, chamado Graça, que possibilita existir Vida eterna em uma vida finita (alma). Encontramos o embasamento bíblico em Gn 1,26, quando o homem é criado à Imagem e Semelhança de Deus, a Vida (Jo 14,6) que mora em mim (1Cor 3,16). Portanto, minha alma vive da vida dEle. Essa é a Vida interior, a primeira parte do Apostolado.

Contudo, não basta estar em ‘estado de graça’, em intimidade com Deus e afastado do mal. Isso ajudaria apenas a salvar a si mesmo. É preciso haver abundância, excesso, para que essa Graça superabunde além de mim e chegue aos outros. Diz São Josemaria Escrivá: “É preciso que sejas ‘homem de Deus’, homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício. O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida ‘para dentro’”. Essa é a segunda parte do Apostolado: as obras.

Qual é então a alma de todo apostolado? Que o homem possua em si a graça de Deus em abundância e a transmita a outros. Que ele tenha alta participação na graça de Deus.

Vamos para um exemplo bem prático. A Virgem Maria teve um verdadeiro apostolado na sua vida terrestre: antes mesmo de receber o anúncio do Anjo, já era uma mulher de oração e intimidade com o Altíssimo, profunda conhecedora da Palavra de Deus. Após engravidar do Espírito Santo, Nossa Senhora parte para a casa da sua prima Isabel, para serví-la. Chegando lá, João Batista estremece no ventre da sua prima e Isabel fica repleta do Santo Espírito (Lc 1,39-45).

Maria pregou? Intercedeu? Impôs as mãos? Profetizou? NÃO!!! Ela não precisou fazer nada demais para que a evangelização acontecesse. Ela apenas tinha vida interior. A graça que habitava nela transbordava de tal modo que as obras se realizavam de forma tremenda sem necessidade de grandes ações. Um verdadeiro apostolado.

Não troque o Deus das obras pelas obras de Deus. Essa é uma das formas que o demônio tem usado para enganar os missionários e servos católicos por todo o mundo. As obras são necessárias, mas devem ser o transbordamento da sua vida interior. Veja o que diz São Josemaria Escrivá:

                            “Sem vida interior, sem formação, não há verdadeiro apostolado nem obras fecundas: o trabalho é precário e até fictício” (Forja 892)

                           “Oras, mortificas-te, trabalhas em mil coisas de apostolado..., mas não estudas. - Não serves, então, se não mudas.” (Caminho 334)

É possível um poço vazio saciar um multidão sedenta? Como posso dar aquilo que não tenho? “Na oração a alma bebe, no apostolado a alma dar-se”, diz Santo Tomás de Aquino.

A oração e a intimidade com o Senhor são mais importantes do que o serviço físico em obras. Elas são uma prioridade para que o serviço seja frutífero. Aprendamos com o Senhor: antes de iniciar a Sua vida pública, subiu ao monte, ao deserto, para jejuar e orar. Veja só, Jesus já havia passado 30 anos em casa, sem “partir para a missão”. Oculto. E, ao se preparar para iniciar a Sua vida pública, decide ainda assim passar mais 40 dias em oração e intimidade com o Pai. Quão grande é a importância da oração! A geradora de todas as obras.

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