ARTIGOS

A oportunidade de amar




Autor: Paulo Eduardo
Data: 15/07/2016

Jesus Cristo é a figura que estabelece um novo paradigma de preceitos religiosos, que dá sentido à Lei. Uma de suas principais reorientações é o olhar para o próximo, o outro que está diante de nós. O Senhor Nosso Deus não é como os deuses da tradição helênica, cheios de egoísmo e controladores dos passos humanos. Ser cristão é ter a oportunidade de amar a Deus amando o próximo, é constituir-se à imagem e semelhança do amor ao contemplar a face do Senhor na figura de um irmão.

Seja íntima ou não, a convivência fraterna cristã constitui-se de atitudes, sentimentos e, sobretudo, oportunidades, que podemos resumir em: contemplação, misericórdia, exortação, admoestação e serviço.

Primeiramente, ama-se o próximo, porque ele é um milagre de Deus, com seus defeitos e virtudes, pode ser instrumento de paz e bem para o mundo e para mim. A partir do momento que uma amizade é estabelecida – em qualquer ambiente –, abre-se uma oportunidade de contemplar Deus na vida do irmão, que nos faz rir – e às vezes chorar –, que nos faz aprender algo – ainda que seja com seus defeitos –, que se esforça por nós e também nos toma esforço para si.

A consequência de conviver com alguém é desfrutar do conforto e das risadas, mas também das broncas, dos abusos e de tantos defeitos. Nessa hora, surge a oportunidade de cumprir a ordem que nos é dada pela Palavra de Deus: “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc. 6,36). Se podemos contemplar a presença de Deus na face do próximo, podemos também observar nossos defeitos cometidos por outra pessoa e assim saber como se sentem os outros quando nós vacilamos. Além disso, se o outro tem virtudes que eu não tenho, pode também ter defeitos diferentes, de maneira que me torna mais completo para amadurecer e me dá a chance de agir com ele como Deus age comigo.

Fraternidade, por um lado, é também encorajar para as coisas boas, “as coisas do Alto” – como dizia o saudoso Padre Leo, da Comunidade Bethânia. Aquele que ama arrasta o próximo para Deus, sopra o vento do Espírito Santo para fazer o irmão voar para o céu, encoraja-o a seguir pelas boas veredas, a praticar o bem, a ir para lugares que o faz crescer como ser humano, como milagre de Deus.

Por outro lado, é desencorajar para as coisas ruins, alertar e reclamar, pois é preciso repreender com brandura, benevolência e sinceridade, denunciando o mal feito. Assim, com o conhecimento de Deus e vivência n’Ele, o amigo fraterno age como agem os romanos, conforme São Paulo: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (Rm 15, 14). O irmão de verdade é aquele que nos fala a verdade, ainda que esta doa, pois seu principal objetivo ao dizê-la não é ferir, mas nos recolocar nos trilhos dos bons caminhos.

O serviço nos faz contemplar a Deus em quem o faz. Servir é colocar-se em função do outro em nome de Deus. É próprio de Jesus, cuja vida foi um serviço para salvação da humanidade, consequentemente é de Maria, que se prontifica a fazer a vontade de Deus, não apenas no Sim ao anjo, mas em toda a sua vida. Ao servi-Lo, servimos com irmãos para outros irmãos. Quando o fazemos com sinceridade – e não como autopromoção –, desenvolvemos as atitudes e sentimentos já mencionados e podemos plenamente amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a nós, com a certeza de que “O fim do mandamento é o amor de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida” (1Tim. 1-7).

Em suma, no cristianismo, não há espaço para a competição de quem mais agrada a Deus tampouco há deuses ventríloquos ou partidos em características pecadoras. O mortal não é um fantoche, mas um ser humano responsável, livre, com a oportunidade de agir como Deus, que ama todos os homens.

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