ARTIGOS

Fazer penitência para reordenar o desordenado




Autor: Vítor Andriola
Data: 29/03/2017

       Deus observando que o homem vivia em desordem e corrupção, resolveu iniciar a sua economia da salvação, a qual se finda em Cristo crucificado. A Igreja nos ensina que Jesus é o modelo perfeito de homem, o livro de Hebreus fala que ele é o sacrifício de agradável odor a Deus, diz que é o sacerdote segundo a ordem de Melquisedec. São João diz, no evangelho, capítulo 3, que Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho único para ser condenado e salvar  o homem. Diz também que, tal como Moisés levantou a serpente no deserto para curar o povo, Jesus foi levantado na Cruz para que a humanidade obtivesse a vida eterna.

      Cristo é o modelo de reordenação dos homens, todo aquele que quiser ter a sua vida ordenada em todos os aspectos basta viver aquilo que Ele viveu, basta pôr em prática aquilo que é dito nos Evangelhos. Deus é tão misericordioso que concede aos homens exemplos de pessoas que obtiveram sucesso no caminho de imitação de Cristo. Ele é o molde pelo qual os santos são modelados. E esse molde nada mais é do que viver aquilo que Ele viveu.

     Seguindo o exemplo de Cristo, deve-se fazer aquilo que a Igreja ensina e dá como meios de reordenação, que são os remédios contra o pecado, causa da desordem. São eles: Jejum, Oração e Esmola/Caridade. Essas são as formas de penitência que o Catecismo da Igreja Católica vai falar no parágrafo 1434, baseado na Sagrada Escritura, basicamente em Mt 6, 1-18. Essas formas de penitência exprimem uma conversão do homem, conversão que significa mudança, metanóia, transformação.

       Para que haja a prática de tais remédios contra o pecado, é importante que haja uma explanação de cada uma de forma individualizada, pois cada remédio se apresenta como antídoto daquilo que se quer curar, no caso em questão, reordenar. Essa reorientação da vida tem bastante eficácia quando praticada a penitência e suas formas, pois o homem precisa aprimorar as suas relações consigo mesmo, com Deus e com o próximo. É por isso que o Jejum contribui para que o homem inicie a reordenação de si mesmo, uma conversão (mudança) em relação a si mesmo, não mais vivendo como uma criança mimada, mas fazendo valer a alma que Deus o deu. O jejum é muito bem recomendado por todos os santos, inclusive São Francisco de Assis dizia: “Se a alma não subjugar o corpo, este a subjugará por primeiro”; daí tiramos a importância de fazer penitência na espécie do jejum. Importante frisar que jejum por jejum, sem o sentido espiritual e voluntariedade por parte daquele que o faz, de nada serve e fruto algum tirará.

A oração é uma forma de penitência interior, um olhar arrependido e desejoso de encontrar o seu amado, que mora dentro do seu coração. É por isso que Jesus pede que a oração seja feita em intimidade, no silêncio, onde o homem pode concentrar-se muito mais no encontro com o seu Criador. A esmola diz respeito à mudança do homem no trato com o próximo e nas formas que se relacionam, o homem pela esmola se despoja de si mesmo e se doa ao próximo, pois sabe que ele é criatura de Deus e, portanto, deve ser amado em sua integralidade. Aqui o homem passa a dar Cristo ao outro, começa o processo de Cristificação (tornar-se outro Cristo). Vale salientar que, caridade por caridade não produz fruto algum. O Concílio de Trento diz que a Eucaristia é o antídoto que liberta das faltas cotidianas e preserva do pecado mortal. As Sagradas Escrituras também fortalecem o espírito de contrição no homem, bem como colabora para o perdão dos pecados. A penitência é necessária à vida do homem, pois ela serve também como reparação pelos males cometidos, é sacrifício que agrada a Deus.

       Se paira alguma dúvida em relação a penitência, talvez não exista escrito mais claro para o entendimento da necessidade da penitência, como o parágrafo 1431 do Catecismo da Igreja Católica, que diz: “A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos’’.

       Por fim, ter cuidado com o modo como se leva a vida é fundamental, ainda mais se a procura pelos prazeres e consolações são constantes. Para uma reorientação de vida, é necessário que haja um esforço maior, pois vale mais uma vida bem orientada com mais prazeres espirituais, do que uma vida de deleites cuja consequência é, nada mais nada menos, do que a distância eterna de Deus; aquele pelo qual nosso coração deseja e encontra verdadeira estima e felicidade. O céu está cheio de novos Cristos, que se modelaram em Jesus; portanto, se queres o céu, começa a tomar uma dose maior dos remédios penitenciais, quais sejam: JEJUM, ORAÇÃO e CARIDADE. 

 

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